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17/09/2012
Especialistas em Petróleo Reclamam da Falta de Mão de Obra Qualificada

Segundo a pesquisa, a falta de investimento em equipamento e formação de mão de obra dificulta a exploração das reservas brasileiras.

Especialistas em petróleo, reunidos no Rio de Janeiro, dizem que falta de investimento em equipamento e formação de mão de obra dificulta a exploração das nossas reservas.

Sete milhões e meio de quilômetros quadrados da bacia sedimentar brasileira, têm áreas concedidas para exploração de petróleo, mas o Brasil explora apenas 5% delas.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, os campos de exploração devem diminuir ainda esse ano, de 300 mil quilômetros quadrados para 250 mil. O prazo de licitações feitas venceu no governo de Fernando Henrique Cardoso e desde 2007 não há novas concorrências.

“Isso vai resultar e se você olha os contratos vigentes de exploração praticamente em 2016 não haverá mais área para explorar se não se retomar as licitações de bloco e a situação pior estão passando as pequenas companhias de petróleo, se não tem licitação ele morre, ele tem que sair do negócio, isso preocupa muito a gente”, diz o presidente do IBP, João Carlos de Luca.

E ainda, o pré-sal, a maior promessa brasileira, revelou algumas surpresas: muito carbono, o que aumenta o custo de exploração e reduz a produtividade.

Uma pesquisa feita com empresas de pequeno, médio e grande porte mostrou que faltam profissionais qualificados para trabalhar nessa área – 40% dos entrevistados apontaram a falta de mão de obra como um dos maiores problemas do setor.

“É um problema que remonta de alguns anos atrás. Na década de 90, o Brasil enfrentou uma dificuldade muito grande, no campo da engenharia, não tinha projetos de engenharia, os projetos estavam sendo feitos fora do Brasil, então foi uma época assim que não houve investimento na formação de engenheiros, então assim 10, 15 anos depois a gente começa a sentir esse impacto”, explica o diretor operacional da Radix, Flávio Guimarães.

Outro desafio é aumentar a produção brasileira de gasolina. Mas nas refinarias que estão sendo produzidas no Rio e Pernambuco, a prioridade será produzir outros combustíveis como o diesel.

“Nós estamos no nosso limite da capacidade de refino. O Brasil tem petróleo suficiente pra gasolina que ele precisa, mas a nossa capacidade de refino se esgotou”, fala o superintendente da Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo), Alfredo Renault.

“É preciso que o governo dê liberdade para que ela aumente a gasolina e o diesel e que esses dois derivados passem a seguir tendências do mercado nacional. Caso seja feito, poderia atrair para o Brasil investimentos privados em refino e, ao invés de a Petrobras gastar o dinheiro dela na construção de novas refinarias, ela podia usar isso para aumentar a produção de petróleo e o privado investir em refino", explica o diretor do CBIE, Adriano Pires.

(Fonte: G1 Globo Notícias)