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02/10/2012
Mão de Obra Industrial

 

As grandes obras resultantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão revelando carência acentuada de mão de obra qualificada nas mais diversas áreas da produção industrial. O fosso entre trabalhadores disponíveis e carências das plantas industriais é antigo. O problema é que se tem agravado ainda mais.
 
Diante de sua complexidade, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), uma das agências encarregadas de habilitar trabalhadores, elaborou o Mapa do Trabalho Industrial 2012, identificando a lacuna e a demanda potencial do mercado.
 
Na quantificação das necessidades do setor, o Nordeste é a segunda região com a maior dependência de trabalhadores habilitados. A previsão indica a demanda de 854 mil profissionais treinados, correspondentes a 11,9% do País apenas em pessoal.
 
Na corrida pela mão de obra que atenda às exigências impostas pela tecnologia, o Nordeste perde apenas para o Sudeste, onde a necessidade é de 1,5 milhão de habilitados. A dinâmica do mercado precisa de plano de recrutamento continuado para atender à diversidade dos segmentos produtivos, aos lançamentos de linhas industriais avançadas e ao crescimento do consumo em face da mobilidade das classes sociais.
 
Nessa prospectiva, o Ceará precisa, até 2015, de 161,2 mil profissionais somente no segmento fabril. Como o prazo de treinamento é mínimo, deverá haver cuidado redobrado para não inviabilizar empreendimentos projetados ou em vias de execução na região metropolitana e no Complexo do Pecém.
 
Dentre as ocupações com necessidade de maior contingente habilitado estão os operadores de máquinas para costura de peças de vestuário; trabalhadores para a indústria de alimentos; padeiros, confeiteiros e afins; trabalhadores polivalentes para as indústrias têxteis; e mecânicos de manutenção de equipamentos.
 
Para o pessoal de nível técnico, as ocupações com demanda em expansão formam os grupos dos pintores; técnicos em operação e monitoramento de computadores; técnicos em controle de produção; técnicos em eletrônica e eletricidade industrial.
 
A necessidade de profissionais de nível técnico para os próximos três anos registrou crescimento de 24%. Entre 2008 e 2011, a carência dessa mão de obra qualificada era de 5,8 milhões no País. No ano passado, foi constatado que a taxa de ocupação dos alunos do Senai, na habilitação profissional técnica de nível médio, alcançou 86,9% e 63% pelos alunos de aprendizagem industrial.
 
Para suprir a demanda futura com os requisitos do mercado de trabalho, o Senai programa investir no Ceará, em curto prazo, R$ 100 milhões destinados a ampliar as áreas de inovação tecnológica e de educação profissional.
 
No esforço de integração com a ação governamental voltada para a demanda futura, o Senai construirá novos centros de formação profissional. Os existentes serão modernizados. Paralelamente, criará o Instituto Senai de Tecnologias Construtivas, o primeiro no gênero no País. Até 2014, o número de matrículas de seus cursos será ampliado de 50 mil para 80 mil vagas.
 
O País ressente-se da falta de preparação da mão de obra, sem a qual o desenvolvimento ficará entravado. O investimento em educação deve ser permanente e mais bem direcionado para as carreiras e profissões que tenham aproveitamento imediato. Caso contrário, o País perderá este momento histórico para dar o grande salto para a prosperidade. 
 
 
Fonte: Opinião - Diário do Nordeste