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20/10/2012
Faltam Profissionais de Engenharia Preparados para os Canteiros

Com o surgimento de obras da Copa, do PAC e do mercado imobiliário, a construção civil se deparou com a escassez desses profissionais


Manaus (AM), 21 de Outubro de 2012
PRISCILA MESQUITA
 
Formada em Engenharia Civil, Cristiane Travessos veio do Rio de Janeiro para atuar
no controle de custos das obras da Arena da Amazônia (Euzivaldo Queiroz ) 
 
Em todo o País, a construção civil enfrenta a escassez de profissionais de engenharia preparados para atuar nos canteiros de obras. O gargalo, já estudado por entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), gerou uma forte concorrência por essa mão de obra especializada, que agora dispõe de maiores salários e pode optar por um amplo leque de cargos.
 
A engenheira civil Cristiane Travassos Nunes é um exemplo de que a área é promissora para quem deseja ter uma rápida e sólida ascensão profissional. No ano 2000, quando cursava o quinto período na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela começou a estagiar na Andrade Gutierrez, com 19 anos. Depois de trabalhar em projetos como o Metrô de Copacabana, ela foi transferida para Manaus em 2010 para atuar na obra da Arena da Amazônia, onde exerce o cargo de gerente de engenharia econômica.
 
 Em linhas gerais, Cristiane faz o controle de custos e atua também na contratação de serviços terceirizados. “Estou muito feliz e realizada. Quando estamos na graduação não temos ideia das oportunidades que o mercado oferece e da remuneração que podemos ter já no início da carreira”, diz.
 
Segundo dados do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-AM), a remuneração mínima de um engenheiro que trabalha oito horas/dia é de R$ 5.598. Já o que trabalha seis horas/dia deve receber a partir de R$ 3.732, conforme a Lei 4.950-A/66.
 
Migração e formação
 
Para solucionar o problema da falta de engenheiros em Manaus, as construtoras passaram a contratar profissionais de outros Estados e a implementar estratégias próprias, como a formação de universitários e engenheiros recém-formados.
 
Na obra da Arena da Amazônia, por exemplo, a maioria dos 18 engenheiros contratados pela Andrade Gutierrez veio de Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará e Espírito Santo. Nesse time, estão engenheiros eletricistas, civis, ambientais, de segurança e mecânica.
 
 A Direcional Engenharia, que possui 20  engenheiros civis “da terra” e oito de outros Estados em Manaus, resolveu criar este ano o projeto “Escola de Engenharia”, voltado à formação de estudantes que cursam o quarto e quinto períodos da faculdade. De acordo com a responsável pelo setor de Recursos Humanos da empresa mineira, Ana Carolina Huss, outra ação que visa suprir a demanda é o programa de trainee realizado na sede, em Belo Horizonte, com profissionais recém-formados. “Eles vão passar por todas as áreas da empresa e depois serão enviados para as cidades onde temos operação”, afirma. 
 
De acordo com Ana, a escassez de engenheiros acontece porque as universidades não formam os alunos na velocidade que o mercado precisa.
 
Déficit nacional
 
Segundo dados da CNI, o Brasil possui 600 mil engenheiros formados e um déficit de 150 mil profissionais. Em 2011, o estudo “Radar n° 12” do Ipea apontou que até 2020 o Brasil precisará formar de 600 mil a 1,15 milhão de engenheiros para atender à crescente demanda.